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DISCOS

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Milonga Mauá (2007)
Terceiro disco com as canções de Sidney Bretanha, desta vez
em ritmo de milonga. Gravado com a participação dos músicos
Miguel Vidal e Fabrício Moura.


sidneybretanha.com

 
01. Milongamente Pedindo

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02. Sob a Luz dos Lampiões

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03. Busca

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04. Milonga Mauá

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05. Saudades de um Camponês

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06. Desd'a Última Vez que te Vi

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Letra da Música

07. Por Aqui II

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Letra da Música

08. Molambento

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09. Meu Velho Lugarejo
                                            (não disponível para cópia)

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10. Pedras

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11. Norina

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Letra da Música

12. Na Campanha

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13. Milonga pro meu Povoado

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Letra da Música

14. Dedução

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Letra da Música

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Primeira Pedra (2004)
Primeiro disco de Sidney Bretanha com variedade de ritmo e
letras bem construídas. Participação especial de Bebeto Alves, 
Beat Barea (Rosa Tattooada) e Cardo Peixoto.



sidneybretanha.com

 
01. Na Janela

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Letra da Música

02. Pedras

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Letra da Música

03. Nas Bocas

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04. Teu

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05. Por Aqui

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06. Contigo

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07. Às Portas da Dr. Monteiro

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08. Pra te Dar

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09. Cercanias

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10. Só Você (uma dessas canções prum amor qualquer)

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11. Sem Musa

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12. Poemaria

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13. Cada Um

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Letra da Música

14. Já Anoiteceu

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Letra da Música

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Lá fora (2000)
Disco em parceria com o intérprete Sandro Campello.
Sidney Bretanha assina todas as letras e seis músicas.


sidneybretanha.com

 
01. Voz Americana

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02. Quando a Garoa Acorda o Cheiro da Terra

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03. Lá Fora

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Letra da Música

04. Na Trilha do Acaso

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Letra da Música

05. Friagem

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Letra da Música

06. Campo & Sina

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Letra da Música

07. Varzeana

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Letra da Música

08. Nas Bolantas

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Letra da Música

09. Tambo de Uma Vaca Só

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Letra da Música

10. Milongamente Pedindo

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Letra da Música

11. Velho Lauro

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Letra da Música

12. Replantio

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Letra da Música

   


Sandro Campello | Lá fora

VOZ AMERICANA
(Sidney Bretanha / Sandro Campello)

SE SURGE UM GRITO ANUNCIANDO A POLVADEIRA
ESGARÇA O PEITO, O HORIZONTE SE ARREPIA
O GADO OUVE E SEGUE O RUMO DA MANGUEIRA
A MINHA VOZ VAI TEMPERANDO A VENTANIA

SE A LAVOURA SE PERDEU E NÃO DEU LUCRO
SE A SOLIDÃO JÁ TOMOU CONTA DA CAMPANHA
VOU ENTOAR MAIS UMA VEZ MEU CANTO XUCRO
PARA ESPANTAR O MAU-OLHADO QUE SE ASSANHA

     É SERENATA, É PAYADA E É RODEIO
     PELOS CONFINS DESTA SAUDADE CABORTEIRA
     A MINHA VOZ AMERICANA NÃO TEM FREIO
     CAVALGA SONHOS CAMPO AFORA SEM FRONTEIRA

SE O PODER SEGUE INFESTADO DE CAUDILHOS
E A INJUSTIÇA COBRE A LIDA DO CAMPEIRO
NESSA PELEIA TÃO ANTIGA NÃO ME HUMILHO
A MINHA VOZ CANTA IGUALDADE POR INTEIRO

E DOU DE MÃO NUM IDEÁRIO ESMORECIDO
NA PAMPA TRISTE, CAMPERIADA E AGONIA
SE POR VENTURA O QUE É DE TODOS FOR VENDIDO
SOLTO NO TEMPO OUTRA APORREADA CANTORIA

QUANDO A GAROA ACORDA O CHEIRO DA TERRA
(Sidney Bretanha / Sandro Campello)

QUANDO A GAROA ACORDA O CHEIRO DA TERRA
REFAZ A LEMBRANÇA DE UM BEIJO NEGADO
DE ALGUMA ESPERANÇA QUE NUNCA SE ENCERRA
DA CALMA DO RANCHO, DO BERRO DO GADO

QUANDO A GAROA ACORDA O CHEIRO DA TERRA
BANHANDO O CAPIM, CAPINANDO O BANHADO
MAPEANDO A SAUDADE DE DESCER A SERRA
E PLANTAR NO FUTURO O AMOR DO PASSADO

QUANDO A ALMA DAS HORAS MANEJA O VERÃO
O MORMAÇO SEPARA A GAROA E O CAPIM
ESPARRAMA OS ASSOMBROS DA RECORDAÇÃO
SÃO CISMAS CAMPEIRAS DEBANDANDO DE MIM

NOS OLHOS A GANA DE VOLTAR AO RANCHO
NOS OMBROS O PESO DO TEMPO QUE ENCERRA
REBENQUEANDO A MANADA, A DOR EU DESMANCHO
SE VAI NA GAROA MEU CHEIRO DE TERRA

LÁ FORA
(Sidney Bretanha)

LÁ FORA A TRISTEZA FUGIU PR’OUTRAS BANDAS
TEM LENDAS E CAUSOS POR TODA A VARANDA
O RELÓGIO DO GALO
DESPERTANDO A CAMPANHA
CAMINHOS E ATALHOS
O REBANHO FAZ MANHA
LÁ FORA REMÉDIO É LIMÃO, MEL E CANHA

LÁ FORA O SUOR E A COLUNA CURVADA
NA LIDA CAMPEIRA - NO CABO DA ENXADA
NA TROPEADA QUE RESTA
O AGUACEIRO É UM ESTORVO
NAS CARREIRAS TEM FESTA
CHURRASQUEADA (BOI NOVO)
LÁ FORA BEM LONGE DA BOCA DO POVO

     LÁ FORA O AMARGO DERRUBA ALAMBRADOS
     CHEIRO DE TERRA E DE PASTO MOLHADO
     CALMARIA INFINITA - AMOR DESCAMPADO

     LÁ FORA ELES DIZEM QUE HOMEM NÃO CHORA
     BORDÕES DE MILONGA - PAIXÃO QUE DEVORA
     SÓ QUERO VIVER MINHA VIDA LÁ FORA

LÁ FORA SE APRENDE A FAZER PELA VIDA
VEZ EM QUANDO É PRECISO UMA RECORRIDA
ARREBENTA O AÇUDE
MINHA HORTA INUNDADA
O PATRÃO SÓ ME ILUDE
SOU HERDEIRO DA ESTRADA
LÁ FORA DISTANTE DOS OLHOS DA AMADA

NA TRILHA DO ACASO
(Sidney Bretanha / Sandro Campello)

NÃO É DO MEU FEITIO DAR DE MÃO NO RELHO
MAS O DELÍRIO SE FEZ DIFERENTE
FOI AOS TRANCOS PROCURAR UM BOM CONSELHO
TRILHANDO SEMPRE O ESTRADEAR DO REPENTE

NÃO É DO MEU FEITIO "ALEVANTAR" A VOZ
E O DESENCONTRO ALARGOU MANEIAS
SE ANUNCIOU NUM UPA PRA APARTAR DE NÓS
FEBRE DA PAIXÃO QUE GALOPA EM NOSSAS VEIAS

     PÕE MAIS POEMAS DE AMOR NA ALGIBEIRA
     VÁRIAS PALAVRAS EM MEU PALA, EU VOU PARTIR
     TALHEI TEU NOME NO TRONCO DA FIGUEIRA
     AMANHÃ VAMOS LER JUNTOS E SORRIR

NÃO É DO MEU FEITIO PERDER A PACIÊNCIA
MAS O DESEJO ENGARUPOU NO ATRASO
INDO AO TROTE INVENTAR O COINCIDÊNCIA
CAMPEAR RETORNOS NA PISTA DO ACASO

FRIAGEM
(Sidney Bretanha)

AQUI NO SUL DO SUL GEADA É SOBERANA
O ABRIGO DA QUERÊNCIA, AS VESTES DE LÃ
ÁGUA FERVENDO PRA MATEAR NA RESSOLANA
INUNDANDO OLHARES A FRIAGEM DA MANHÃ

LEVO LENHA “PRAS CASA”, PREPARO O COBERTOR
JÁ VIROU O VENTO LOGO MAIS TEM TEMPESTADE
MAS O QUE CONGELA É A FÚRIA DA SAUDADE
HOJE EU FIZ UM CHAMAMÉ ESPERANDO O TEU CALOR

VEM PRA CÁ GURIA, VEM E TRAZ NA BAGAGEM
PONCHOS, MANTAS, PELEGOS, SALAMANDRAS, FOGÕES
TEM VENTOS CAMPEIROS DERRAMANDO FRIAGEM
NO ASFALTO E NO PAMPA (ARRANHA-CÉUS E GALPÕES)

LEVO TUDO POR DIANTE, NÃO DEIXO DE TENTAR
MEIO “DE RENGUEAR CUSCO” SE ACHEGA A INVERNADA
GURIA PERDOA A RIMA ENCARANGADA
HOJE EU FIZ UM CHAMAMÉ SOMENTE PRA ESQUENTAR

AS FORÇAS DO TEMPO VÃO BRANQUEANDO A PAISAGEM
NEGRAS NUVENS DE FRIO SOBREVOAM RINCÕES
MINHA TERRA SULINA EXALANDO FRIAGEM
INCENDEIA NAMOROS - INSEMINA PAIXÕES

CAMPO & SINA
(Sidney Bretanha/Sandro Campello)

JÁ NÃO CONSIGO MAIS TE ESPERAR
SAUDADE NÃO DÁ PONTO SEM NÓ
É CAMPO ABERTO PRA PODER CHORAR
A TRISTE SINA DE VIVER TÃO SÓ

JÁ NÃO ENTENDO AS NOSSAS INTENÇÕES
A SAUDADE QUE JÁ NÃO QUER PARTIR
CAMPO MINADO DE RECORDAÇÕES
A MESMA SINA DE VIVER SEM TI

CAMPESINA! (CAMPO E SINA)
GALOPEADO SENTIMENTO
VOU CAMPEAR ALGUMA RIMA
PRA TE AMAR UM SÓ MOMENTO

CAMPESINA! (CAMPO E SINA)
GALPONEIRO JURAMENTO
O FANDANGO SE APROXIMA
QUE O AMOR VENHA A CONTENTO

JÁ NÃO CONSIGO REVER A RAZÃO
SAUDADE VEM QUANDO O SOL SE PÔR
CAMPO COBERTO DE DESILUSÃO
A MINHA SINA É VIVER DE AMOR

VARZEANA
(Sidney Bretanha)

PELO ARROIO CHASQUEIRO
PÉS DESCALÇOS NA MARGEM
CORAÇÃO ESTRADEIRO
INOCÊNCIA E CORAGEM
ESCOLHENDO FEIJÃO BORDADO, FORNO E FOGÃO

AVENTAL DE REMENDOS
TIMIDEZ CAMPONESA
A MULHER VEM VERTENDO
VARZEANA BELEZA
E O LUAR É GUARDIÃO (ESTRELA NA ESCURIDÃO)

VOU PILCHAR O MEU CANTO PRA QUEBRAR O QUEBRANTO
PRA SORVER O TEU SONO (VERSOS NA VENEZIANA)
VOU PILCHAR O MEU CANTO PRA PRENDER O TEU PRANTO
FEMININO FERVOR OLHOS CHEIOS DE AMOR NO VAZIO DA VÁRZEA

NO VARAL TANTOS TRAPOS
TERMINANDO A COZINHA
DEPOIS LEITE PRO GUAXO
SOMBRA FRESCA À TARDINHA
MARCELA E CIDRÃO TEMPERO PRO CHIMARRÃO

NAS BOLANTAS
(Sidney Bretanha/Sandro Campello)

NAS BOLANTAS
VIGIANDO A PLANTA
NÃO SE ESPERA UM AGRADO
NAS BOLANTAS
QUANDO SECA A GARGANTA
ALGUÉM FAZ UM AMARGO

NAS BOLANTAS
TRABALHANDO SE CANTA
CONDUZINDO O ARADO
NAS BOLANTAS
SEMPRE ANTES DA JANTA
SE PREPARA UM CARTEADO

VEM MATEAR COMPANHEIRO, VOU FALAR DE AMOR
DE UM AMOR QUE PARTIU LÁ PRO ALTO DA SERRA
ME DEIXOU TÃO SOZINHO, CARINHANDO A TERRA
RECORRENDO MARACHAS, ESPERANDO UMA FLOR

VEM MATEAR COMPANHEIRO, TEM UM BOM CHIMARRÃO
VEM COMIGO PROSEAR, PUXA UM BANCO, DESCANSA
HOJE ESTAMOS SOZINHOS SEMEANDO ESPERANÇAS
QUE O CÉU NUNCA ESQUEÇA CHUVA PRA PLANTAÇÃO

NAS BOLANTAS
MAL O SOL SE LEVANTA
E A LAVOURA JÁ CHAMA
NAS BOLANTAS
A MISÉRIA É TANTA
QUE A GENTE NEM RECLAMA

TAMBO DE UMA VACA SÓ
(Sidney Bretanha)

TEM TRABALHO MATINAL NO MEU NEGÓCIO PROMISSOR
UM PEQUENO MILHARAL E UMA VACA LEITEIRA
DOU MEU MUNDO PRA MORENA CHEIO DE JURAS DE AMOR
E A DOR MAIS FORTE SE SOFRENA À SOMBRA DA FIGUEIRA

MAS QUE BAITA PROPRIEDADE TUDO NASCE DESTE CHÃO
DOU UM CHEGO NA CIDADE E A MORENA VARRE O QUINTAL
NA VENDA DO “PAULINHO” COMPRO ALPARGATAS... MUNIÇÃO...
- DUAS PILHAS PRO RADINHO QUE HOJE É DIA DE GRE-NAL!

     NA HORA DA BÓIA A GENTE SE OLHA E FAZ ORAÇÃO
     A FELICIDADE JÁ FAZ MORADA NO CORAÇÃO
     SE GUAPEANDO JUNTOS FOI TANTA HISTÓRIA QUE A GENTE FEZ
     MORENA ISSO TUDO É POUCO MAS TEM LUGAR PRA NÓS DOIS

UM DIA LÁ PELAS TANTAS O ACASO ACONTECEU
ERA UMA SEMANA SANTA NUM DIA DE CARREIRA
MORENA PEGOU O RUMO SEM UM SÓ BEIJO DE ADEUS
DESDE ENTÃO NÃO ME APRUMO NEM À SOMBRA DA FIGUEIRA

NA VENDA DO “PAULINHO” ENTRE TANTAS PARCERIAS
- SERVE MAIS UM “MARTELINHO” QUE EU CONTO A VIDA INTEIRA
TODO O MEU ROMANCE AGRÁRIO SE MANDOU “A LA CRIA”
NO MEU TAMBO SOLITÁRIO A MESMA VACA LEITEIRA

     NA HORA DA BÓIA A VISTA SE MOLHA DE SOLIDÃO
     O FEL DA SAUDADE JÁ FAZ MORADA NO CORAÇÃO
     SE GUAPEANDO JUNTOS FOI TANTA HISTÓRIA QUE A GENTE FEZ
     MORENA FIQUEI BEM “LOCO” VENDI O LUGAR DE NÓS DOIS

MILONGAMENTE PEDINDO
(Sidney Bretanha)

NUM JOGO DE OSSO, NUMA DOMA, NUM GALPÃO,
NUMA CARPA DE CARREIRA, TALVEZ NUM BAILÃO
NUMA RODA DE VIOLA (RAPADURA E CHIMARRÃO)
EU VOU TE PEDIR

NUM DEDO DE PROSA, NUM DISCRETO COCHICHO,
NUM BILHETE MAL ESCRITO (FLOR DE CAMBICHO)
NUMA RONDA, NUM RODEIO, NUM BALCÃO DE BOLICHO
EU VOU TE PEDIR

     E O CORAÇÃO MANEADO À SOGA
     ENQUANTO O CÉU PREPARA A VIRAÇÃO
     O AR DA GRAÇA DA MILONGA
     SE PERDE PRA PEDIR A TUA MÃO

NUM ENTREVEIRO, NUMA TARDE DE TOSQUIA
NUMA SERENATA (PAMPEANA CANTORIA)
NUM SOPRAR DO MINUANO VARRENDO SESMARIAS
EU VOU TE PEDIR

NUM VOLTEIO CAMPEIRO, NUM C.T.G. QUALQUER
(VELHA PROFECIA DAS FOLHAS DO MAL-ME-QUER
NUMA TROVA ROMANCEIRA COM A RIMA QUE VIER
EU VOU TE PEDIR

     E O CORAÇÃO MANEADO À SOGA
     ENQUANTO O CÉU PREPARA A VIRAÇÃO
     O AR DA GRAÇA DA MILONGA
     SE PERDE PRA PEDIR A TUA MÃO

NUM PÔR DO SOL “BOTANDO AS VACA”
ANDANDO A ESMO, NUM RETOÇO, NUMA SOBRA DE RESSACA
NUM DIA DESSES, AMANHÃ,
AGORA MESMO, NUMA CHARLA, NUMA BRIGA DE FACA
MILONGUEANDO POR AÍ
EU VOU TE PEDIR

VELHO LAURO
(Sidney Bretanha)

VAI O VELHO DESPACITO
LER AS DICAS DA FOLHINHA
LAVA AS RUGAS NA BACIA
E AMANHECE A FIGUEIRINHA

     TEM SEMPRE CUIDADO COM OS “GRAVATÁ”
     TEM TRAGO CURTIDO COM GUACO E BUTIÁ
     “ALMANAQUE ABRIL” É O SEU BÊ-A-BÁ
     DEPOIS DA “SÉSTIA” O MAU HUMOR DE QUEM VIVE SÓ

VAI O VELHO PELA TARDE
BOMBEAR ÁGUA DA CACIMBA
COM TAMANCOS DE MADEIRA
NO GALPÃO FAZ A FAXINA

     TEM SEMPRE POR PERTO “EMPLASTO” SABIÁ
     E ALGUNS GRAVETOS PRO FOGO “PEGÁ”
     RECEITAS DE DOCE E ERVAS DE CHÁ
     DEPOIS DA LIDA ESPERA A NOITE MATEANDO SÓ

CONTANDO HISTÓRIAS DO TEMPO ANTIGO
TRANÇANDO RELHO, ENCHENDO CARTUCHO
NA FIGUEIRINHA VAI O VELHO - EXEMPLO GAÚCHO

VAI À PROCURA DE UM NOVO ABRIGO
DEIXA O CONSELHO QUE O TEMPO É MATREIRO
NA FIGUEIRINHA VAI O VELHO - ETERNO PARCEIRO

VAI O VELHO NOITE ADENTRO
CONTEMPLAR FOTOGRAFIAS
LAVA AS RUGAS CO’A LEMBRANÇA
DE QUE TUDO ERA FAMÍLIA

     TEM SEMPRE NOS BOLSOS ALGUM PATUÁ
     “MIRRÉIS” E INGRESSOS PRO “MARABÁ”
     DOCES E BALAS PRA DAR PROS “PIÁ”
     DEPOIS DA VIDA UMA LIÇÃO PRA QUEM VIVE SÓ

REPLANTIO 
(Sidney Bretanha / Sandro Campello)


QUANTOS VENTOS NUM GALOPE – UMA SECA, UMA ENCHENTE
TEMPORAL, RAIO E CORISCO – VOU BEBER COM MINHA GENTE
CULTIVAR TANTAS LEMBRANÇAS
VER A DOR ASSIM DE FRENTE
BELOS TRAÇOS DE PAISAGEM
TANTOS DESENHOS NA TERRA
MAIS UM DIA DE TRABALHO MAIS UM DIA QUE SE ENCERRA

ARROZAIS, ARROZAIS
VOU SOZINHO E SEM RAZÃO
PELOS RIOS E CANAIS
MERGULHAR MEU CORAÇÃO

ARROZAIS, ARROZAIS
MEU LAMENTO – INUNDAÇÃO
DEIXO TUDO ASSIM NO MAIS
PLANTO A VIDA NA CANÇÃO

QUANTOS VENTOS NUM GALOPE – ÁGUAS CLARAS, TEMPESTADE
CHUVA FORTE TROVOADA – VOU BEBER LÁ NA CIDADE
CULTIVAR TANTAS LEMBRANÇAS
MEU ARROIO – UMA SAUDADE
BELOS TRAÇOS DE PAISAGEM
REPLANTAR NA ESTIAGEM
SE EU COLHER TUDO QUE ESPERO VOU CASAR COM QUEM EU QUERO


Sidney Bretanha | Primeira Pedra

CERCANIAS
Intro: (C9   F7+   Dm7   G7)

Ando sempre nas cercanias / De tudo que me convém
Pela rua úmida e fria / Alugando algum alguém
Não encontro minha fatia / Já não sobra um vintém
Quero ver a maioria / Sem a dor que me mantém
Perseguindo o dia-a-dia / Perguntando quem é quem
Ando sempre nas cercanias / Procurando meu bem

Ando sempre nas cercanias / De tudo que me contém
Toda noite, todo dia / Almejando algo além
Cuidado com a pontaria / Cuidado que tem refém
Amarrado na ferrovia / Vivo à espera desse trem
Por amor & rebeldia / Um dia sim outro também
Ando sempre nas cercanias / Procurando meu bem

Ando sempre nas cercanias / De tudo que me abstém
A saudade de quem ia / A espera de quem vem
Quando alguma ave-maria / Vem salvar um João-ninguém
Astro-rei e estrela guia / Dou um zoom no lado zen
Com palavras de Elegia / Com palavras de Réquiem
Ando sempre nas cercanias / Procurando meu bem

PEDRAS
Intro: (F   Fm   C9) 4x

                          ( F7+                        C9 )
Uma pedra no caminho, uma pedra na mão
Uma pedra no rim, uma pedra no chão
Uma pedra no vizinho, uma pedra no irmão
Uma pedra no Pedro, uma pedra no João
Uma pedra diamante, uma pedra carvão
Uma pedra de granizo - uma perda no grão

Dm7       Em7                                Am
Se a solidão já medra tanta falta de prosa
D7/9             G7                  (F     Fm           C9)
Pro teu coração de pedra - uma pedra preciosa

                            ( F7+                      C9)
Uma pedra no estilingue, uma pedra no cão
Uma pedra no assunto, uma pedra em leilão
Uma
pedra no sapato - escultura, expressão
Uma pedra de gelo - avalanche, vulcão
Uma pedra que rola (uma pedra canção)
A primeira pedra que alguém jogue então. . .

(solo = F7+   C9)

                      ( F7+                         C9 )
Na testa de Golias (catapulta ao portão)
Pedrada todo dia - manifestação
Em tantos tabuleiros de xadrez ou gamão
Pedra sobre pedra, pedraria padrão
A primeira pedra que alguém jogue então...

NAS BOCAS
Intro: (D7/9   A7)

(D7/9   A7)
A boca seca / Boca à boca
A boca peca / De boca em boca
Beija
, morde, cospe, ataca
A boba boca do babaca

A boca pita / Esconde o garfo
A boca grita / Com afta e bafo
Rachando ao frio a boca fica
A boca o beco da bica

     G7                          A7
Na boca do povo uma fala incerta
      Bb7                               A7
Pronúncia com ovo de um boca aberta
     G7                          A7
Na boca da noite uma boca pintada
(Bb7                                        A7)
Pivô - chapa - ponte, em qualquer bocada
Bb7                                        C7       D7
Pivô - chapa - ponte, em qualquer bocada

(D7/9 A7)
Banguela e louca / A boca baba
O bate-boca / É "boca braba"
A boca escorre palavrão
Estoura a boca do balão

A boca é feia / Com intriga
A boca cheia / De formiga
Responde ou cala ou dá uma dica
A boca o beco da pica
(C#7/9+)

NA JANELA
Intro: (D7+/9   G/A   D7+/9   %   Em7   A7   D7+/9   G/A )

        D7+/9 G/A D7+/9
Na janela,  na janela
Em7                A7                         D7+/9   G/A
Uma pedra no vidro, um olhar de donzela
        D7+/9 G/A D7+/9
Na janela,  na janela
Em7           A7                        D7+/9
A luz do blackout, o escuro da vela

G7+            A/G
Conflito na confissão
F#m7            B7
Falsidade sincera
        Em7                   A7                 Am7    G#7/5-
Que lindo é pular a janela, pular no salão
G7+                  A/G
Contento a contemplação
F#m7            B7
A cortina tempera
        Em7                     A7                D7+/9   G/A
Que lindo é tocar na janela, tocar tua mão

Na janela, na janela
Um xaxim, um cigarro, um canto à capela
Na janela, na janela
Amor momentâneo, paixão sem seqüela
Compreendo a computação
Formatando a quimera
Que lindo é quebrar a janela, quebrar o grilhão
Conjecturas em construção
O
amanhã reverbera
Que lindo eu perdido já nela - perdendo a razão

(solo = Em7   A7   Bm7   %   C7+   G/A)

Na janela, na janela
Ressaca, remorso, retrato e remela
Na janela, na janela
Paisagem urbana sem vista pra ela
Constato a constelação
Uma noite de espera
Que lindo é o luar da janela, o luar do sertão
Confiro essa confusão
Gente que degenera                          (D7+/9   G/A)
Que lindo é abrir a janela - abrir o coração

SÓ VOCÊ (UMA DESSAS CANÇÕES PRUM AMOR QUALQUER)
Intro: (E7+   C#m7   F#m7   B7/4)

(E7+   C#m7   F#m7   B7/4)
Só você fica bem melhor comigo
Faz tudo que eu mando duvidando do que eu digo
Só você leva tudo numa boa
Distância & paixão - um coração vivendo à toa

        A9                             G#m7
Não quero mais te ver sorrindo por aí
       A#º                               B7/4
Mantendo a aparência (tão longe sem querer)
        A9                                G#m7
Não quero mais me ver chorando ao ouvir
         F#m7                            A     B7   E7+
Uma dessas canções prum amor qualquer

Só você faz de mim gato e sapato
Por você não fico rico (pago mico e pago o pato)
Só você, só você pra me entender
Pra viver minha loucura e sem censura me fazer

Não quero mais te ter chorando ao dormir
Perdendo a inocência (tão longe sem querer)
Não quero mais viver sorrindo pra mentir
Uma dessas canções prum amor qualquer

Em long-play, fita K7, AM, FM ou CD
MP3 ou DVD, em algum programa de TV
Não quero nem saber, já cansei de te esconder
Numa dessas canções prum amor qualquer

POEMARIA
(inspirada em poema homônimo de Pedro J. Bittencourt)
Intro: (A9   E/G#   D9/F#   E)

A9                                                   E/G#
Maria virgem de todos - corre pelo tempo Maria fumaça
     D9/F#                                        E
Marias em romaria (que nunca se vendem ou que dão de graça)
A9                                      E/G#
Maria de todo dia vazia paria uma outra Maria
     D9/F#                                                  E
Marias bem mais que mil tem no tom do Milton. . . Maria Maria!

     Bm7                                   C#m7
Maria da Santa-madre (muito mais do santo padre)
           Bm7                       D/E  E7/9- A9
Minha bela, minha flor Maria    sem amor

Maria lavadeira - dos filhos, do tanque, da cozinha
Tão serena, tão sereia (o mar vinha ela ia, o mar ia ela vinha)
Maria vai com as outras - Maria morena, mulher e menina
Maria escandalosa (perdida). . . Maria gasolina

Maria que não me quis - má, ria a infeliz
Minha bela, minha flor / Maria sem amor

CONTIGO
Intro: G   D/F#   C   Cm   G

Contigo / Eu brigo e nem ligo
Pois sempre sigo
Contigo / Eu faço o que digo
Faço um abrigo

Contigo / Eu corto o umbigo
Corro perigo
Contigo / Acato o castigo
Andar só comigo

Contigo / Sou novo e antigo
Embrião e jazigo
Contigo / O que faço não digo
(Só faço contigo)

POR AQUI
Intro: (F#m7   E9/G#   D9   E9/G#)

Por aqui todos vão bem obrigado
Fazendo nada, fazendo o seu lado
Por aqui todos não sabem quem são
Não fazem planos, nem fazem questão

Bm
Por aqui andam
        A                                           C#7
Sem pressa, na contramão e às avessas
                             F#m7
Sedentos de sedução
Bm
Por aqui pagam
      A                                       C#7
Promessa, pecado, aposta, remessa
                       F#m7
E juros de plantação

Por aqui todos vão bem obrigado...

Por aqui pedem
Passagem, esmola, voto, massagem
E eterna disposição
Por aqui prezam
Imagem, pouca mudança e bobagem
Apadrinhado padrão

Por aqui! por aqui! por aqui!

Por aqui todos vão bem obrigado...

Por aqui roubam
Os trilhos, a inocência dos filhos
E a cena do bom ladrão
Por aqui quebram
O milho e mal encostam os cílios
Vem uma outra estação

Por aqui todos vão bem ou brigados
Fazendo cera, fazendo alambrados
Por aqui todos não sabem se vão
E em vão se ficam, nem fazem que estão

Por aqui vivem
Num trauma, na Solidão e na Palma,
Da mão que nega o perdão
Por aqui perdem
A calma, alguns trocados e a alma
No divã de um balcão

ÀS PORTAS DA Dr. MONTEIRO
Música incidental: "Meu querido Arroio Grande" (Profª Alice Colaço das Neves e Profª Mimi)
Intro: (Am   D7/9)

(Am7   D7/9)
Passeata, violão, carnaval e procissão
Patinete, pé no chão, cervejada e chimarrão
G
Num canto alguém que vomita
                  Am7
No outro alguém baba a marica
D7/9                                              Am7
O minuano... o deserto... e a gente fica

   ( F            Em        F )
Às portas da Dr. Monteiro
A gente ali sem paradeiro
Às portas da Dr. Monteiro
                 G
O tempo inteiro

Motor envenenado / E as gurias pra lá e pra cá
Boato mal contado / E a saudade a trafegar
Num canto alguém que palpita
No outro alguém fazendo fita
Som na lata... foguetório... e a gente agita

Tranqüilidade atrai a traição

Soluço grande não é solução
Palavra grande não é palavrão
Uma região é uma religião
Num pranto alguém que se irrita
Com outro alguém que se excita
O vento sul... tudo igual... e a gente fica

TEU
                         D         C                       D
Teu jeito chega junto / Teu rastro me prendeu
G                               D       C                         D
Teu mundo é meu assunto / Tô tentando ser só teu
Em               Bm                   C     D             G
No coração uma cidade / E eu, amor te espero
 
Teu tempo faz meu clima / Teu céu é todo ateu
Teu verso é minha rima / Tô tentando ser só teu
No coração uma cidade / E eu, amor te espero

                              C           D             G
Tô tentando ser só teu / Todinho pra ti usar
                                   C           D                   G
Pra te dar tudo que é meu / Tô tentando ser só teu
                               C     D                   G
Tô tentando ser só teu / Todinho pra te usar
                                       C         D                   G
Pra fazer dar o que não deu / Tô tentando ser só teu
 Bb9                F                        Eb                     G
Tens de tudo que me falta / A cruz e a luz da ribalta
 Bb9                      F                    Eb                          D
Tens de tudo que eu preciso / Pra dor do amor um sorriso
 
Teu mito é minha meta / Teu sol apaga o breu
Teu enter me deleta / Tô tentando ser só teu
No coração outra saudade / E eu, a morte espero

PRA TE DAR
Intro: (A7+  E7+)  (D7+  E7+)  Dm

A7+                             E7+
Mais do que tudo eu queria
A7+                         E7+
Todas as forças da alquimia
D7+                           E7+
Minhas noites, meus dias
Dm          A7+  Dm    A7+   Dm
Só pra te dar   Pra ti dar

Mais do que tudo eu queria
Todos os doces sem calorias
Jóias, bijuterias / Só pra te dar / Pra ti dar

Mais do que tudo eu queria
Todo o dinheiro da loteria
Sucesso, regalias / Só pra te dar /Pra ti dar

D7+             E/D    C#m         F#m
Sempre contigo errando eu acerto
Bm         E7         Em7  A7/13
Perto de mim é o teu lugar
D7+             E/D    C#m           F#m
Sempre contigo encontro meu tudo
Bm                              D/E     E7/9-  A7+
Tudo que tenho é tão pouco pra te dar

(solo e final, harmonias iguais à introdução)

Mais do que tudo eu queria
Fantasia - orgia - alegria
Minha melhor cantoria / Só pra te dar / Pra ti dar

Mais do que tudo eu queria
Amor eterno com garantia
A cura das minhas manias
Só pra te dar / Pra ti dar

JÁ ANOITECEU
Intro: D7+

(D7+               Bm7                                G7+            Gm6)
Já anoiteceu e qualquer sentimento vai ficando diferente
Tento ser só teu, vou fugindo de mim mesmo e me encontro de repente
F#m7/5-                  B7                                      Em
Já anoiteceu, outro corpo, outro copo em minha mão
            G7+                               G#º              D7+  G/A
Todo o mundo percebeu que a noite ameniza a solidão (e há solidão...)

Já anoiteceu, a luz negra disfarçando nosso sonho... nossa idade...
Tantos feito eu sempre atrás da mesma coisa pelas ruas da cidade
Já anoiteceu outro carro, outro cigarro - asfixia
O amor que se perdeu todos querem encontrar antes do dia

(solo = D7+   Bm7   G7+   Gm6)

Já anoiteceu a nossa história se repete (continua sem saída)
Olha só! Vê no que deu! E tanto que eu tentei evitar a despedida
Já anoiteceu carências & ausências - revelação
Todo o mundo percebeu que ninguém sabe ao certo sua intenção

Já anoiteceu e o meu amor está tão longe que talvez nem mais exista
O que aconteceu ? Onde está você ? (Me dê ao menos uma pista)
Já anoiteceu outra pose, outra dose - anestesia
A dor que se escondeu esperando pra voltar junto do dia

CADA UM
Intro: (A   E   D   A)
                                    E
Cada um com seus valores
                                     D
Cada um com seus rancores
                                  E                   D
Cada um com seus amores / malfeitores
          E         A
Cada um na sua

Cada um com seus odores
Cada um com seus temores
Cada um com suas dores / tumores
Cada um na sua

                                E
Cada um com suas vestes
                                D
Cada um com suas pestes
                       E            A
Cada um sem se encontrar
                                    E
Cada um com seus demônios
                          D
Contraindo matrimônio
          E                  A
Cada um no seu lugar

         F#7       Bm        E7      A
Cada um por si, cada um por si
          F#m     Bm        E7      A
Cada um por si, cada um por si

Cada um com suas crias
Cada um com suas estrias
Cada um com suas manias / doentias
Cada um na sua

Cada um com seu papel
(Sua igreja - seu bordel)
Cada um que vai pro céu / pro beleléu
Cada um na sua

Cada um com sua raça
Cada um com sua farsa
Cada um querendo mais
Cada um com seus defeitos
À procura de respeito
Cada um sabe o que faz

solo e final
(A C D E   E D C A)  A C D E   E D C D A

SEM MUSA
Intro: (G7+   Am7)

(G7+   Am7)
Quem volta ao local do crime se acusa
Quase não se toca a semifusa
Quem usa nem sempre abusa
(A Nara era irmã da Danuza)

Barata em galinheiro não cruza
Se tá afim, tira logo a blusa
O Brasil é o quintal do U.S.A.
(Essa rima ficou confusa)

Quem nunca comeu mel, se lambuza
Não há poesia sem musa


Sidney Bretanha | Milonga Mauá
 

SOB A LUZ DOS LAMPIÕES
(Sidney Bretanha)

Nas noites lá de fora...
Quem sai da lida puxa um banco, ceva um mate
Chorando em versos se despede pro futuro
Vira o vento, um arrepio, um cão que late
(Assombrações vão percorrendo o pampa escuro)

Nas noites lá de fora...
Tanta paz, tanta fartura, tanto apego
A gente mal termina a bóia e se recolhe
Troteando sonhos – calmaria no aconchego
De relancina um outro tempo nos acolhe

Assim a vida vem em versos, recorridas & andanças
Preparando outras lembranças – gauderiando os corações
Assim da vida me despeço, solitário & errante
Minha infância tão distante – sob a luz dos lampiões

Nas noites lá de fora...
Velho Lauro conta causos e anedotas
Revira o fogo e emudece em seus vazios
A lua cheia, o milho assado, a paz que brota
E a geada fere o pasto a sangue-frio

BUSCA
(Edson Vidal)

Milonga que eu fiz pra repor
A saudade das lidas de galpão
Tudo que foge do amor
Tudo que faz bem pro coração

Trago no meu peito teu traçado
No lamento dos que clamam pela terra
Quero-quero tá atento no banhado
Num fim-de-tarde de quem te espera

  Cumpadre! A tristeza vem singela
  Não é bruxa nem alma de tapera
  São assombros rondando a madrugada
  Nas tropeadas da busca por ela

A invernada vem tocando um violão
No alambrado que repara a terneirada
Te aprochega pra beira do fogão
Que a erva ainda nem foi virada

Venho amadrinhando um lamento
Que nem atento mais em pensar
Destino xucro que toca o tormento
Larga o matungo sem exitar

  Fiz um mate pra charlar bem à vontade
  Com os amigos que vieram da cidade
  E lavo a alma que anda entristecida
  No braseiro onde aqueço a minha sina

MILONGA MAUÁ
(Sidney Bretanha)

Pra quem vai embora e não volta mais
Pra quem chega em busca de apego e paz
Pra quem deixa a vida assim no mais
Pra quem planta e canta os arrozais

Pra quem é beato e ama o pecado
(Quem ergue a bandeira – quem não tem lado)
Pra quem é urbano e conduz o gado
Pra quem é inocente e foi condenado

Por favor, me diz que lugar é esse
Que me faz feliz e me empobrece
Ti ti ti – blá blá blá – conversa fiada
Toma lá da cá... Milonga Mauá

Pra quem se cala e sossega o facho
Pra quem tá só na rapa do tacho
Pra quem veste a moda e o esculacho
Pra os que vêm de fora e os que vêm de baixo

Pra quem não se abala e entra na dança
Pra quem vive a vida da vizinhança
Pra quem sempre espera e nunca se cansa
Pra quem quer heranças e não confiança

Então vem me dizer que lugar é esse
Que me dá prazer e me adormece
Por Aqui... Doce Lar – balcão, madrugada,
Corpos no sofá... Milonga Mauá

Pra quem vende a vida por um vintém
Pela mesma rua num vai-e-vem
Pra quem ficou preso ao que mais convém
E amarrou seu tempo co’a linha do trem

Pra quem tem amor à monotonia
Pra quem quer saúde, paz, moradia
Pra quem puxa o saco e não lambe a cria
Pra os que vão no vácuo da utopia

Já não sei dizer que lugar é esse
Que me faz não ser, que nunca acontece
Correnteza no olhar – Canções para o nada
Lá lá iá lá ia... Milonga Mauá

SAUDADE DE UM CAMPONÊS
(Pedro Bittencourt Jr./ Eduardo Canhada)

O boi, a terra, o arado e a morena
A noite chega mansa e serena
E com ela surgem raízes, saudades
E na memória uma tal liberdade...

A vida que ele queria humilde e pequena
Embalar eternamente na mesma cadeira
Mas foi para a cidade onde massificado
Chorava e recordava a terra, o arado...

Pássaros, cânticos, liberdade
Máquinas, prantos... é a cidade

A manhã não lhe traz um bom despertar
As coisas do campo começam a faltar
Fraquezas, tonturas, sua felicidade
Acaba no leito de um hospital da cidade / a cidade...

Sua hora parece estar chegando
Com ela as lembranças estão acabando
Mas eis de repente que surge a morena
E a morte ao seu lado faltou-lhe a cadeira...

Pássaros, cânticos, liberdade
Máquinas, prantos... é a cidade

DESD’A ÚLTIMA VEZ QUE TE VI
(Sidney Bretanha)

Fiquei tão só, vi meus sonhos pelo chão
Fiquei tão só, amargo feito o chimarrão
Sorvendo a erva na Dr. Monteiro
Ritual costumeiro

Fiquei tão só, sem saber o que sentir
Desd’a última vez que te vi
Fazendo às mesmas esquinas meu açoite
Milongas na noite

As flores morrem no canteiro – O dia é cinza Por Aqui
Já vivo sem paradeiro, desd’a última vez que te vi

Fiquei tão só, feito a terra sem o grão
Fiquei tão só (verso, voz & violão)
Vagando a esmo por perto do perau
No arroio e no Pontal

Fiquei tão só e acreditei no “não-partir”
Desd’a última vez que te vi
Aquerenciado na cidade abandonada
Tardes de bingo e mateada

Não esqueço mais desd’aquela vez
Lembro todo dia, toda hora, todo mês
Meu coração vazio num lugar tão frio...

POR AQUI II
(Sidney Bretanha)

Por aqui todos vão bem, numa boa
Na mesma trilha... à toda e à toa
Por aqui vai se levando na manha
Semeando o asfalto com flor de campanha

Por aqui ficam pra traz
Contando os dias iguais
Sem tempo e sem previsão

Por aqui vivem sem paz
Clamando por arrozais
Um glamouroso grotão

Por aqui todos percorrem a ponte
Molhando as barbas, secando a fonte
Por aqui todos não sabem quem são
Não fazem planos, nem fazem questão

Por aqui gritam
Sozinhos, com pedras pelo caminho
Famintos de atenção
Por aqui bebem
O vinho, gotas de sangue no ninho
Atropelando a paixão

Por aqui... Por aqui... Por aqui...

Por aqui todos vão bem, numa boa
Na mesma trilha... À toda e à toa
Por aqui vai se levando na manha
Semeando o asfalto com flor de campanha

Por aqui trocam
Os lucros em eleições, bingo e truco
Foguetes na imensidão

Por aqui crescem
Mais xucros, adolescentes caducos
Frutífera frustração

Por aqui todos vão bem ou brigados
Fazendo cera, fazendo alambrados
Por aqui todos não sabem se vão
E em vão se ficam, nem fazem que estão

Por aqui comem
Poeira na queda da ribanceira
Descarrilhando o vagão

Por aqui fecham
Porteiras sem dó, sem eira nem beira
Gangrena a gana e o galpão

MOLAMBENTO
(Sidney Bretanha)

Teu olhar num instante aparecia
Vertendo outros caminhos estranhos
É melhor estender utopias
Afeições maltratando o rebanho

Seja eterno, jamais amanhã
Meus infinitos no horizonte adormecidos
Se então renasce “efeito imã”
Sempre estaremos unidos

Noitadas ostentam solidão
Dores ocultas – incerto sentimento
Sigo ousando montar o sonho
Unificando momentos

Perdoa minha amada
A saudade, o sofrimento e este jeito molambento de andar
Vagando só na estrada
O amor é um segredo e o meu medo é ter tão pouco Pra Te Dar!

MEU VELHO LUGAREJO
(Versão: Sidney Bretanha)

Já são outros tempos e a solidão florescendo ao longe da arte
Um amigo que parte
Nada é eterno! A fome do inverno aquecendo o olhar dos amantes
Lembranças distantes

Meu velho lugarejo
À espera da colheita
Na dor e no desejo
Por amor a gente aceita

Todo o momento idéias antigas percorrem o trânsito lento
E as vozes do vento nos fazem ouvir
Que o coração ainda pede pra não desistir

E viver Por Aqui...

NORINA
(Edu Damatta)

Fica sempre viajando nas ruas
Um saco de estopa sujo, nas mãos
É o terror da criançada
Sonha sempre na calçada... Um amor.
Amiga dos cachorros, mora no mato
Tapera verde, quinchada de flor
Nasceu menina e não cresceu
Estrela guia se escondeu... Meu amor

Nunca na vida alguém se importou
Se ela chorava na praça
Noite e dia fugindo da dor
Procura um amigo e não acha

Rainha da cidade que não tem trono
Vai do arroio à coxilha do fogo
Idade tem pra ser mulher
Loucura mesmo, é viver... Meu amor
A noite de verão é como quermesse
A lua iluminando o céu num balão
E reza pra Nossa Senhora
Pra que a maldade vá embora do seu coração

NA CAMPANHA
(Sidney Bretanha)

Na campanha quando o galo canta já começa a lida, já vem outro dia
Na campanha quando o sol levanta esparrama o gado... Uma chaleira chia!
Na campanha andando “de a cavalo” a gente toca a vida do jeito que pode
Na campanha a cachorrada late, a gente vira o mate... Uma milonga explode!

Na campanha quando finda a tarde a gente “bota as vaca” campereando em pêlo
Na campanha a gente liga o rádio, escuta o noticiário e as canções do Campello
Na campanha esquilando ovelha, curando terneiro, cuidando égua prenha
Na campanha a gente aquece a alma causeriando à beira do fogão à lenha

Na campanha a gente vive em paz e faz de tudo apenas pra viver
Eira! Eira! Eira! Meu amor! Vou te contar...
Quem vai morar na campanha não pensa em voltar

Na campanha colhendo esperanças o tempo separa o trigo e o joio
Na campanha a gente é mais criança, contando as estrelas, nadando no arroio
Na campanha tudo é amoral e pra todo bagual tem sempre um maneador
Na campanha, longe da cidade a vida é de verdade e traduz o amor

MILONGA PRO MEU POVOADO
(Sidney Bretanha)

No meu povoado a vida é assim e não tem conversa
Cotidianamente se espera um progresso que não tem pressa
Mauá e seus trilhos, outros Basílios e Gumercindos
Boto o pé na estrada, a viola no saco e já vou indo!

É tanta gente trocando a alma pelo “pé de meia”
É tanta gente vivendo apenas a vida alheia
No meu povoado quase nada muda tudo se repete
Campereando as dores nos desalambramos pela internet
Entre serra e várzea a urbe vazia vai nos consumindo
Tiro as pedras da estrada, a mão da cumbuca e já vou indo!

É tanta gente que um dia se cansa e vai embora
É tanta gente levando a saudade pelo mundo afora

   Nas mesmas ruas andar contigo lado a lado
   Voltar pelo tempo... Meu povoado...

No meu povoado tem sempre um olhar por detrás da cortina
Saboreando a beleza do grande amor e arrotando a rotina
Minhas coordenadas – esquadro, compasso... O saber infindo
Co’as lições da estrada encilho meus passos e já vou indo!

É tanta gente morrendo sem ter o que merecia
É tanta gente sonhando à margem da ousadia.

DEDUÇÃO
(Sidney Bretanha)

Através da milonga a voz do coração
Se solta, pede cancha e um pouco mais de atenção
A poesia vai vestindo o infinito
Num grito de dor que vem do campo
Ensinamentos que jamais serão escritos

Através da milonga a voz do coração
Semeando calmarias, reensina o perdão
A poesia se esparrama na campanha
Tamanha é a dor de quem carrega
A raiz da saudade nas entranhas

            Teus olhos distantes demais, me abandonaram
Por Aqui
            Sangrando bordões de milonga sem saber pr’onde fugir

Talvez até seja difícil compreender e acreditar
- Mas é bom viver na Terra de Mauá!

 

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